segunda-feira, junho 11, 2007

10 de Junho - dia do Governo, dos Governantes e das Comunidades Tachistas



Não ouvi o discurso do nosso Presidente da República.
Mas já ouvi os ecos desse mesmo discurso.
Chegou-me aos ouvidos que Cavaco Silva disse / aconselhou / avisou os portugueses para NÃO contarem com o Estado para tudo...
Hum...
Depois de coçar o nariz, analisando essa citação tão motivadora começo cá a pensar para mim: “mas então se eu não posso contar com o Estado para tudo, porque há-de esse mesmo Estado obrigar-me a contribuir para um Aeroporto que nem sequer vai servir a zona do País onde resido ?”

Sou um portuguesinho insignificante, trabalhador, subtraem-me impostos do ordenado que ganho, sou roubado pelo comércio, pelos bancos, pelas gasolineiras, pelo sistema nacional de saúde, etc, etc e mais etcs.
Nem sequer me posso gabar que faço pontes no meu posto de trabalho do tamanho da ponte Vasco da gama, nem que tiro férias quando me dá na cabeça.
Agora dizem-me que “nós, País, vamos ter que fazer mais um esforço para um tal de Aeroporto do pantanal da Ota ou do deserto da margem sul ??

Pergunto eu: porque tenho eu que desembolsar AINDA MAIS €€ por uma construção que nem sequer irei utilizar (e se o utilizar, pagarei justamente pela sua utilização).
Segundo essa ordem de ideias, olhem srs governantes, preciso duma casita nova, onde viva mais condignamente, portanto aqui está o meu pedido da sua construção, e claro, do vosso “esforço” em contribuir para esta construção.

Já agora, necessito também de uma viatura para me deslocar para o meu local de trabalho, visto que trabalho em turnos rotativos, e a hipótese de utilizar os transportes públicos está fora de hipótese, já que não tenho horários muito “normais”.
É a vida...é o esforço que o portuguesinho faz para ganhar o pão do dia a dia, e também para contribuir para as auto-estradas que são construídas (mas que continuo a pagá-las por cada vez que piso tão caro asfalto); para os hospitais que são construídos (mas que continuo a pagar as taxas moderadoras); para os tão importantes estádios de futebol, essenciais para o nosso dia a dia, mas que por acaso nem um cá calhou na minha região (fica para a próxima, não é senhores governantes ?)

Enfim, ironias à parte, aqui ficam algumas das minhas conclusões relativamente ao futuro de Portugal e dos portugueses (e depois não me chamem de pessimista, chamem-me de realista):

Diminuição dos impostos ? Não me parece...
Ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres
Taxas e mais taxas – basta ter uma imaginação fértil
Tachos e mais tachos (Ai ai, mas porque é que eu não nasci paredes meias com nenhum governante?)
Cidadãos cada vez mais endividados devido à relação ordenados / impostos / preço dos produtos de 1ª necessidade
Evolução e criação de novos gangues que se dedicam a estorquir dinheiro de forma ilícita
Dissolução total das reformas (eu quando estiver na idade da reforma, chucho no dedo que é doce, enquanto os srs deputados e ex-politicos, ministros e espécies da mesma estirpe, enchem os bolsinhos e vivem à grande em alguma ilha deserta com côcos a caírem à sua volta)

Enfim...já me cansei de pensar em tanta futurologia e presentologia que o melhor é mesmo acabar por aqui

Uff.

O que vale é que o "nosso" sol por enquanto ainda vai brilhando !!

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