segunda-feira, março 17, 2008

A família grande


Era uma vez uma família. Uma família muito grande.
Todos os seus membros subsistiam através de um subsídio de rendimento mensal que era garantido por todos os outros cidadãos que contribuíam mensalmente pelo seu trabalho prestado à sociedade.
Fartavam-se de trabalhar.
Uns mandavam, outros analisavam, outros analisavam o que tinha sido previamente analisado e havia ainda aqueles que pertenciam às variadíssimas comissões de inquérito e avaliação. Tudo para o bem daqueles que contribuíam para a panela da sopa.
Eram exímios trabalhadores. Sempre prontos e disponíveis a ajudar o “utente” que se deslocasse aos seus nobres locais de trabalho. Sempre sem esquecer a sua capacidade inata de pontualidade e assiduidade. Eles eram tudo isso e muito mais: apesar de não terem nenhumas regalias perante os demais cidadãos, nunca se queixavam das suas deficientes condições de vida. Nunca convocavam manifestações por (apenas) terem em média 40 ou 50 dias de férias por ano, ao contrário do resto da população, que as tirava (as férias) sempre que lhes apetecia. Sair mais cedo dos seus postos de trabalho para aqueles exemplares funcionários era uma verdadeira utopia.
Nunca!
Quanto a ficarem de baixa médica sem aparente necessidade também nunca lhes passou pela cabeça. Sempre a trabalhar e a cumprir ordens. Pequenos almoços com duas horas de duração nunca fizeram, aliás, o “funcionário oficial da nação - FON” vem sempre, mas sempre mesmo, já com as refeições tomadas, assim mesmo, aprumadinho e super-profissional e eficiente.
Picar o ponto e sair das instalações para irem tratar de certos (muitos) assuntos da vida pessoal e fazerem disso uma regra quase diária?
Nunca!
Nunca vi, MESMO!
E quanto ao assunto de utilizarem algumas das ferramentas de trabalho (que são mensalmente pagas pelos demais cidadãos, esses biltres) em beneficio próprio?
Ui! Isso então, nem me falem nisso, isso só pode vir de mentes “Spielbergianas”. Cá agora, que ultraje!
Mas alguma vez o FON tem a lata de fazer horas e dias de chamadas telefónicas particulares para amigos e familiares, ocupando muitas das vezes as ligas que servem exclusivamente para os demais utentes contactarem quando houver necessidade? Xii, que maldade!
Nem isso, nem aquela situação das novas tecnologias em que se diz por aí (eu nunca vi), em que o FON utiliza a ligação à web para entrar em sites que não têm nada a ver com o seu serviço e já para não falar da troca ininterrupta de mail’s cheio de piadolas e não só, que todos trocam entre si.
O FON é um bom profissional, senhores!
O FON nunca poderia fazer isso porque tem sempre um superior seu a controlá-lo - e mais - esse seu superior nunca compactaria com situações levianas dessa natureza!

(Continua)

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